quarta-feira, 17 de julho de 2013

Palavra de Miss: Aline Zattar

"Não precisei ficar magra para minha vida acontecer", diz atual Miss Brasil Plus Size brasileira

Em menos de um ano, Aline Zattar passou de advogada à vencedora da edição 2013 do concurso. A jovem, que já chegou a pesar 124 quilos, conversou com Marie Claire sobre padrões de beleza e autoestima.

Seis meses foram o suficiente para transformar a advogada Aline Zattar, 28 anos, na Miss Brasil Plus Size de 2013. O que à primeira vista parece ter sido um acontecimento precipitado, apenas esconde o conflito que Aline teve com a balança durante toda a sua vida inteira. “Sempre fui gordinha, aos 6 anos já ia ao médico por causa do meu peso,” diz a catarinense de Joinville. Aos 14 anos, pesava 124 quilos e passou por uma clínica de tratamento de onde saiu 30 quilos mais magra.

O esforço era contra o que, justamente, coroou Aline - de 1,68 de altura, 93 kg e manequim 46 - para ser Miss Plus Size em março deste ano. Um dos itens essenciais para participar da competição era usar tamanho maior que 44: "Não precisei ficar magra para minha vida acontecer", diz ela.

TRANSFORMAÇÕES E O SUMIÇO DO PRECONCEITO
A catarinense agora trabalha com a imagem de seu corpo e mantém alguns cuidados com a saúde. Sua rotina inclui cuidar do marido e dos dois filhos, fazer caminhadas e se organizar para sessões de fotos: “Nunca fiz aulas de fotografia, mas observo imagens de outras modelos e treino bastante na frente do espelho". Poses de biquíni e até de lingerie fazem parte de seu book de modelo.

Se, atualmente, Aline não faz academia por vontade própria, no passado ela já achou necessário ter de emagrecer para frequentar o local. “Quando eu fazia aulas, sentia que todos ficavam me olhando, como se o lugar não fosse feito para emagrecer,” brinca. Aline confessa também já ter passado por situações traumatizantes na adolescência. Em uma delas, conta que mantinha uma "paixonite" por um garoto, cujo sentimento parecia ser recíproco. Mas ele evitava assumí-la em público. “Ele negava a todos os amigos com medo de as pessoas do colégio tirassem sarro por ele gostar de uma gordinha”, conta.
Para ela, o preconceito é muito mais uma questão a ser resolvida internamente. Com a autoestima em dia, Aline diz que os olhares em lugares públicos passam despercebidos. “Não sei se ainda existem, mas estou tão feliz comigo mesma que sinceramente não tenho notado o que fazem ou falam”, afirma.
 “Tinham meninas lá que não ganharam porque não se impuseram como mulheres.”

SEM MEDO DE SE EXPOR
Aline assume que a parte preferida de seu corpo é a barriga. Por isso, faz questão de marcar a região com roupas mais justas na cintura. A aceitação de um padrão de beleza mais "cheinho", no entanto, não é unânime nem mesmo em meio às concorrentes do concurso de beleza plus size. Segundo ela, há mulheres confiantes, outras que se inscrevem para trabalhar a questão da autoestima e outras ainda que não superaram ser gordinhas.



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