terça-feira, 6 de agosto de 2013

Felicidade é um trabalho interno

Eu acabei de ler este texto (recomendo muito) e fiquei pensando sobre a minha própria vida. Eu sou gorda, como todo mundo sabe, e nunca estive tão gorda na vida quanto agora.
E, apesar de vir ganhando peso a cada ano e ter sido xingada muitas vezes por isso, eu não quero ser magra. Nunca fiz dietas malucas. Tentei reeducação alimentar pelo Vigilantes do Peso, e deu certo por um tempo. Perdi, acho, uns 15 quilos, mas abandonei e engordei tudo de novo.
Nesses muitos anos “acima do peso”, ouvi incontáveis vezes que, se eu emagrecesse, meus problemas desapareceriam como num passe de mágica. Todas as minhas questões existenciais, segundo os outros, viriam do fato de eu ser gorda.
Ah, mas se eu fosse magra, ah, se eu fosse magra, ah, aí sim eu seria feliz.
Porque é isso que a nossa cultura nos faz engolir: que gordura é doença, que magreza é felicidade. E não é. Ninguém, na verdade, consegue garantir o que traz a tal felicidade. Inventam mil coisas: o cabelo perfeito, o corpo para ser admirado, o emprego dos sonhos, a quantidade de dinheiro ideal na conta bancária.
happiness is an inside job
Várias pessoas fazem uma espécie de check list mental e vão assinalando cada uma dessas “conquistas”. No fundo, apesar de muitas vezes serem invejadas, essas pessoas também não são felizes. Outras são. Qual a diferença? Tudo é muito mais complexo do que se diz, e é extremamente subjetivo.
Gera frustração. “Se com tudo isso eu não consigo ficar feliz, o que posso fazer?” É a grande dúvida, e cada um de nós deve buscar o que nos alegra, sem ligar nadinha para as convenções sociais.
Elas só servem para nos transformar em manada, para que nós continuemos produzindo nesta economia capitalista, sempre buscando, buscando, buscando e não conseguindo.
Assim, a gente não para. Produz. Produz. Consome. Gasta mais do que pode. Trabalha mais para pagar as dívidas. Consome tudo de novo. O que a ditadura da beleza tem com isso? Ela também é extremamente lucrativa; são bilhões movimentados por ano em cremes, depilação, produtos infalíveis, tratamentos indispensáveis.
Eu não estou dizendo para a gente abandonar tudo de uma vez. Além de ser difícil, algumas dessas coisas nos divertem, como maquiagem criativa, cores novas nas unhas e sabonete cheiroso. Mas tem que ser assim, lúdico, divertido, que não nos machuque física ou mentalmente, tampouco esteja acima das nossas posses.
Mostra-se urgente também que nós paremos de programar a felicidade. Espera-se que ela apareça quando houver o emagrecimento, quando acontecer a viagem para Londres, quando o príncipe encantado bater à sua porta com o sapatinho de cristal (dica: ele não existe).
Felicidade se faz aqui, agora, e começa em você mesma.
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Deixo vocês com um vídeo que já compartilhei no Facebook do blog. É extremamente emocionante. Chorei baldes quando vi, e tem muito a ver com esse post.

fonte: Cem homens

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