terça-feira, 17 de setembro de 2013

Sobre a sua beleza e as do outros também

  • Não critique a aparência física de outras pessoas.
Revistas, sites, blogs e programas de televisão – especialmente aqueles que falam sobre moda e pessoas famosas – gastam muito tempo e dinheiro com críticas à aparência física dos outros e apontando supostas falhas “bombásticas” em seus corpos. Roupas, corpo ou cabelo: nada passa despercebido por esse policiamento corporal. Ao mesmo tempo em que criticam duramente as ditas “imperfeições” alheias, estabelecem um padrão plástico e impossível de ser alcançado. Mas você não precisa contribuir.
Modifique seus hábitos criticistas e pare de apontar os “defeitos” das outras pessoas. As roupas que alguém usa, seu corpo, peso ou cabelo não devem ser alvo de deboche ou razão para desmerecê-lo. Passe a ver o que há de belo ou, no mínimo, torne-se indiferente aos supostos erros ou celulites no visual que o paparazzi acabou de fotografar.
  • Desconstrua seus próprios padrões de beleza.
Quando dizemos que uma pessoa é feia, o fazemos com base em padrões de beleza que nos foram ensinados e existem dentro de nós de forma muito forte e enraizada. É comum falarmos que é o nosso “gosto pessoal”, quando esse tal gosto pessoal está envenenado de rigores racistas e cruéis.
Questione suas preferências; pergunte a si mesma/o qual é o fundamento para preferir peles claras, narizes finos, cabelos lisos ou ondulados, olhos claros, silhuetas esbeltas ou mulheres curvilíneas. Você pode se surpreender negativamente com a carga hostil que existe por trás de suas opiniões estéticas e acabará percebendo que, muitas vezes, esses padrões também te oprimem.
  • Use roupas que façam com que você se sinta bem.
Quem gosta de seguir a moda e quem não gosta: quantas roupas você compra só porque todos estão usando? Ou quantas deixa de comprar, apesar de serem exatamente o que você quer, porque disseram que não cai bem no seu corpo? O que seria “cair bem”, afinal?
Dizem que pessoas gordas não podem usar listras horizontais ou que mulher baixinha não pode usar saias longas, mas de onde vem isso? Não seria porque essas roupas supostamente evidenciam essas características? Então é fácil concluir que isso só é dito porque ser gorda e baixa são consideradas coisas indesejadas. Que tal desconstruir esses valores?
Escolha roupas que te façam se sentir confortável, que te possibilitem movimentos livres ou que sejam lindíssimas como você quer que sejam. Evidencie no seu corpo aquilo que você curte nele, não importa se você tem seios grandes e deseja usar um decote que os mostre ainda mais.
  • Não assuma nada sobre a saúde de ninguém.
Ouvimos constantemente sobre os perigos da obesidade; essa parece ser uma verdadeira cruzada que a mídia trava, muitas vezes de modo preconceituoso, assumindo que estar “acima do peso” é necessariamente um sinal de saúde inferior ou deteriorada. Isso está errado.
Pessoas gordas podem ser saudáveis assim como pessoas magras podem não ser. Diversos tipos de doenças são crônicas, outras independem do formato do seu corpo e estão mais associadas com os tipos de alimentos e bebidas que se ingere. E embora saibamos que sedentarismo não faz bem para a saúde e obesidade, tal como magreza excessiva, pode ser algo preocupante, não devemos concluir que as pessoas são sedentárias apenas porque possuem corpos mais gordos ou que praticam exercícios e se alimentam bem baseando-se somente em seus corpos mais magros.
Constranger pessoas gordas e fazer com que se sintam doentes e inadequadas não é a forma correta de estimular hábitos saudáveis e ativos, até porque depressão e baixa autoestima atrapalham o seu empoderamento. Intrometer-se na vida dos outros, dar opiniões que não são solicitadas, comentar o quanto estão mais gordos (ou mais magros) e censurar sua opção de cardápio (muitas vezes no exato momento em que vão comer) é porta de entrada para transtornos alimentares sérios.
Ao invés disso, procure avaliar sua própria alimentação e repensar o que pode ser melhorado, mas não para se enquadrar em um padrão de aparência física; tenha embasamento sobre exames físicos e acompanhamento médico e psicológico, para que não somente os seus órgãos internos sejam plenamente sadios, como também para que suas emoções e autoimagem trabalhem em seu favor.
  • Desconstrua padrões de gênero.
Temas como depilação e maquiagem continuam sendo instrumentos da imposição de papéis de gênero, divididas entre coisas “demulher” e “de homem”. Existe uma determinação inflexível de como devem ser os corpos femininos e masculinos e, equivocadamente, perpetuamos normas sem que paremos para pensar sobre elas.
Um exemplo bem fácil de ser entendido pode ser citado na forma dos pêlos corporais, que nos homens são tolerados e, muitas vezes, encorajados, mas nas mulheres são considerados sujos. O que difere a axila masculina da feminina? Por que mulheres precisam se submeter a processos dolorosos e caros para arrancar os pêlos das pernas? Por que as opções de escolha das mulheres não são amplamente representadas?
Para ter uma atitude mais positiva sobre seu próprio corpo e sobre o corpo das outras pessoas, procure não recriminar e demonstrar nojo diante de alguém que difere da norma, tais como mulheres que não se depilam. Repense essas reações e busque o verdadeiro motivo de padrões como esse existirem.
Veja as pessoas além de corpos de mulheres ou corpos de homens, encare-as como seres humanos pura e simplesmente subjetivos que podem ou não se depilar, usar maquiagem ou preferir um cabelo mais curto. Respeite os pêlos tanto quanto a ausência deles.
  • Conheça mais o seu próprio corpo.
Masturbação é algo bom e saudável, porém o tabu construído em cima desse tema continua a privar homens e principalmente mulheres de se descobrirem, fazendo com que inúmeras partes de seus corpos sejam desconhecidas ou ignoradas.
É importante perceber a hipocrisia de um puritanismo que bloqueia o amor e amizade que você pode construir consigo própria/o. Maturbe-se e se conheça o seu próprio corpo, seja com suas mãos, vibradores ou espelhos. Mais importante do que o que é palpável, use a imaginação. Não tenha medo de suas fantasias e experimente, a sós, as coisas que podem te dar prazer. Não sinta vergonha de falar sobre o que gosta para a pessoa com quem fizer sexo, pois saber o que te faz ou não sentir prazer e apontar o limite sobre o que pode ser feito é muito importante não apenas na relação sexual, mas na construção de sua autoestima e satisfação pessoal.
Existem diversas maneiras de conhecer o seu corpo, como saber quais alimentos te fazem mal e quantas horas diárias você necessita dormir. Se você menstrua, crie o hábito de observar a frequência do seu ciclo menstrual, o que pode auxiliar muito no tratamento de irregularidades. Cultive esse relacionamento.
  • Conheça mais o corpo de quem se relaciona sexualmente contigo.
Dedicar-se e ter atenciosidade com a pessoa com quem você se relaciona é valorizar o corpo dela e é um modo de ter uma atitude positiva quanto a todos os corpos.
Não seja egoísta e não queira o prazer somente para si; preocupe-se com seu parceiro tanto quanto se preocupa consigo e empenhe-se em descobrir aquele corpo e estimular o amor próprio da pessoa que você gosta. Assim, todo mundo ganha.
  • Saiba quais são suas qualidades.
Não caia na armadilha da crueldade contra si mesma/o. Todo mundo possui qualidades que devem ser exploradas e talentos que podem e devem ser aprimorados. Você não deve esquecer de identificá-los e valorizá-los.
Faça uma lista com tudo aquilo que gosta em si, seja em seu corpo ou sua personalidade, e encoraje amigos, familiares e parceiros a fazerem o mesmo. Escreva uma lista de características que admira nessas pessoas e observe o que há de comum ou diferente entre vocês.
Esse simples exercício pode ser o impulso que você precisa para lembrar que é uma pessoa perfeitamente agradável e cheia de pontos positivos. Tente também rever os pontos negativos que você coloca em si. Se são características físicas, por que essas características devem ser ruins e não boas? Como se sentir cada vez mais confortável consigo independentemente do que não gosta no seu corpo ou personalidade?
  • Elogie mais as pessoas.
Quantas vezes um elogio poderia ter tornado o seu dia completamente diferente? E em quantos momentos você desejou que alguém te falasse o quanto é excelente em algo? Elogios são importantes. Não tenha vergonha de dizer para as pessoas o que há de bom e bonito nelas.
É muitíssimo prazeroso ser alguém que tem sempre palavras positivas para dizer. Já entendemos que todos possuímos qualidades e beleza; precisamos também compreender que é gostoso contribuir com a autoimagem positiva de quem nos cerca.
A sociedade emprega tanta energia, dinheiro e tempo para nos dizer que temos que competir entre nós, que nos acostumamos a criticar ou tratar os outros com indiferença. Desconstrua essa norma velada e seja alguém agradável.
  • Não aceite violência.
Para finalizar, não aceite nenhuma forma de violência e não se submeta a situações de opressão e sofrimento.
Agressão não precisa ser física. Existe violência psicológica e emocional, abuso de poder, chantagens e xingamentos. Ninguém deveria precisar engolir nada disso.
Não aceite que te xinguem e que debochem de suas características físicas ou diminuam sua capacidade intelectual. Não compactue com bullying e hostilidade, fale em favor daqueles que precisam, encoraje que reajam e busquem superar todas as formas de opressão que sofrem. Se as agressões vierem acompanhadas de ameaças, não tenha medo de reportar às autoridades.
Ninguém existe para ser maltratado. Não é “normal” ouvir palavras desagradáveis e rudes e ninguém deve se relacionar com quem só lhe faz mal.
Sentir-se feliz consigo e ajudar outros a serem mais felizes também é enfrentar tudo o que mina a autoestima e a saúde emocional.
Vá em frente!

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