sexta-feira, 27 de setembro de 2013

As grafiteiras revolucionárias do Afeganistão

As grafiteiras revolucionárias do Afeganistão foto: reprodução


Malina

O Afeganistão, definitivamente, não é um lugar que esteja costumeiramente relacionado a algum imaginário positivo. Ainda mais depois da guerra ter espalhado tanta violência e destruição por lá, ilustrando todas as manchetes do mundo. Mas há coisas belas e surpreendentes acontecendo para serem exaltadas, é apenas uma questão de olhar para o lado certo.
A grande descoberta são duas garotas carregadas de energia para mudar a realidade que as cerca. Elas passaram a cobrir as marcas que a guerra deixou nas ruas com arte, fazendo desenhos de grafite nas paredes.
Shamsia Hassani e Malina Suliman usam o grafite como um instrumento encorajador para que outras mulheres também busquem os seus interesses e lutem por igualdade no mundo muçulmano. Estas duas meninas são, além de revolucionárias, as primeiras grafiteiras afegãs da história.
Com 24 e 23 anos, Shamsia e Malina atualmente dão workshops para formação de novos artistas de rua e apóiam projetos para popularização e acesso à arte contemporânea do Afeganistão. Malina começou grafitando mensagens de crítica a política local pelas ruas, escondida na calada da noite. E Shamsia é a primeira grafiteira do país. Ela gosta de retratar mulheres independentes usando burcas como forma de transmitir o sentimento de que para uma mulher afegã, ser livre representa muito mais do que vestir ou não vestir uma burca.
A artista Shamsia teve seu primeiro contato com o grafite em um workshop oferecido pelo artista inglês CHU na cidade de Cabul, em 2010. Mas elas apenas grafita em locais fechados ou aqueles em que é convidada a fim de reduzir o risco de ataques dos extremistas. Quando não está grafitando nas ruas, Shamsia realiza intervenções digitalmente, para uma série chamada “Dreaming Graffiti” mostrando os grafites que ela gostaria de fazer no Afeganistão.

Shamsia
Seu trabalho já ganhou grande destaque e, por conta do prestígio, ela foi convidada para grafitar em diversos países como Alemanha, Austrália, Índia, Suíça e Vietnã. Neste último, fez uma colaboração em um mural que o artista El Mac pintou em homenagem a ela.

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