quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Orgulho Plus Size

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Este post é um GUEST POST. Sua autora, Vana Medeiros, é jornalista e escreve o Temporada de Séries.

Quando a Maki-linda, dona deste blog, me convidou para escrever uma coluna para o Manias de Moça, perguntei na hora (para mim mesma e baixinho): o que eu, esta gordinha um tanto inexperiente nas artes da moda, que sempre entra por aqui para pegar novas dicas de creminhos e maquiagens – especialmente para parecer não tão por fora do assunto nas rodinhas de conversa – tenho a oferecer aos leitores dela? Como relacionar dicas de beleza e de moda e a minha experiência aqui neste mundo que todos nós compartilhamos?


As modelos Whitney Thompson e Candice Huffine: gordas e maravilhosas


A resposta estava mais à vista do que eu imaginava: gostaria de falar com as garotas que, como eu, não ganharam o direito imediato à beleza – as meninas plus size. Hoje existe até um nome para este mercado, este título que sugere importância americanizada à altura de outros termos como ankle boots e jet legPlus Size. Esta sou, somos nós que não nos encaixamos no padrão da modelo magérrima e seca, que desfila por aí toda pimpona por não ter nascido na era renascentista.
Pois bem, eu estava falando que a nós, gordinhas, não foi concedido o direito à beleza. Não porque nós não sejamos bonitas. Mas porque, desde pequenininhas, ela nos é negada. Não aparecemos nos editoriais de moda, nos comerciais de maquiagem, nos catálogos das coleções. Somos instigadas a, a todo momento, disfarçarmos gordurinhas por debaixo de roupas mais largas e nunca (jamais!) usar listras horizontais. Não existem roupas para nós nas lojas comuns. Os manequins são cada vez menores, temos que garimpar muito para ir além dos modelitos apropriados para nossas avós. Demoramos anos, às vezes décadas, para descobrir que este mundo pode ser lindo, colorido e divertidíssimo.
Somos colocadas, inclusive, em uma posição muito inferior a de uma mulher magra. Afinal é óbvio que a mulher gorda é que vai ser infeliz, certo? Nunca a magra. E o processo de libertação desta tonelada de absurdos é tão lento, e tão doloroso, que muitas de nós continuamos lutando contra a balança durante toda a vida, sem descobrir jamais que existe uma vida linda e leve lá fora, que não envolve a dieta da sopa.
Eu posso discorrer horas sobre os motivos pelos quais somos tratadas assim. A grande maioria deles tem a ver com a famosa e tão estudada função decorativa da mulher na sociedade. De épocas em épocas, é eleito um padrão de beleza a ser atingido, e a mulher é a que mais sofre com ele. Afinal, se você não consegue cumprir a sua única função no mundo – que é a de cuidar da sua aparência – você não é nada, certo? (You had one job! One job!)
Enquanto isso, homens podem tranquilamente exibir quilinhos a mais sem serem escrutinados em públicos (principalmente se tiverem poder financeiro ou político), e nós mulheres podemos chegar ao topo do mundo ou, por exemplo, só para citar uma situação aleatória, ?, à Presidência do Brasil, que ainda assim ouviremos mais provocações relacionadas a nossa aparência do que avaliações sobre as nossas capacidades para o cargo. (Momento “A Feminista Mandou um Beijo”)
Eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando, mas estou aqui, pedindo para que você tire dez minutos do seu tempo para pensar nesta questão. Quantas vezes, hoje, só hoje, você, mulher gordinha, tentou esconder que era uma mulher gordinha? Você escolheu a calça um pouco mais larga na coxa pra não marcar demais, não foi? E, mesmo passando um calor desgraçado, não quis sair com aquela blusa sem mangas para não mostrar seu braço de merendeira, ou não? E na hora de se maquiar, qual técnica para afinar o rosto você escolheu?
Nós passamos tempo demais tentando esconder quem somos. Eu sou gorda. Passei muito tempo para conseguir falar isso em voz alta. Mas eu sou assim. Nunca vou ser magra. E isso não é um problema para mim a menos que eu queira. A minha maior conquista dos últimos anos foi, ao fazer mais um dos zilhões de regimes da minha vida – desta vez por razões de saúde -, me deparei pensando que não gostaria de perder peso demais, porque não quero viver sem minhas curvas.
O mundo te implora para, todos os dias, odiar quem você é. Não estamos falando de vida saudável. Duvido que metade das mulheres que sentem um grande aperto no peito toda vez que se olham no espelho pensem: “Nossa, será que esta circunferência abdominal está prejudicando meu ritmo cardíaco? Melhor eu não comprar este vestido!” Saúde é fundamental e cada um aprende a cuidar da sua. Mas autoestima, amor próprio, é tão importante quanto, porque é daí que brota a sua saúde mental. Não esquece disso, tá? Você é linda. Quer perder alguns quilinhos, vai em frente. Mas, por favor, pela gente, não emagrece demais, viu? É que eu adoro as nossas curvas.



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