quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Miss Ronde Brasileira Renata Cassela receberá a coroa hoje na França

Por Lisa Tondato

foto: acervo pessoal

Renata Cassela mora no Rio de Janeiro, é casada, libriana, proprietária de um Buffet, começou sua carreira de modelos plus size, com incentivo do seu marido, no troca troca GG em São Paulo, depois partiu para os concursos de Miss e venceu Miss carioca e o Miss Ronde Universnet.  


CaP Como você era quando criança? magrinha ou gordinha?

RC Tive varias fases...Sempre fui uma criança grande, quando estudava no jardim da infância era sempre a última da fila, pois com 4 anos tinha tamanho de 6, 7 anos, era maior que os meninos...não dava nunca a mão á professora...ainda bem que minha mãe teve a sensibilidade de conversar com a professora e ela começou a fazer revezamento das crianças, mas há situações que a proteção de mãe, não funciona...na fase dos7 anos eu era alta e gorda, ou seja, vestia roupa de 14 anos, jeans só o de adulto, época das roupas da Xuxa, sofria, mas minha mãe sempre dava um jeitinho...calçava 36/37 não tinha mais bota da Xuxa para o meu tamanho,  como eu chorava, queria ser paquita..., mas nunca perdi meu alto astral. Nessa época me chamavam de baleia assassina, sinceramente nunca liguei pela baleia, e sim pela assassina, ficava revoltada só porque sou gorda me chamarem de assassina...

CaP Nessa época você já sonhava em ser miss ou modelo?
RC Nunca sonhei em ser modelo, mas miss sim! Na adolescência quando eu tinha uns treze anos me chamaram pra ser modelo, não dei a mínima...eu era muito alta, 1,68 para 13 anos.

CaP Como foi sua adolescência, na escola sofreu algum tipo de preconceito por causa do peso? 
RC Na verdade na adolescência o preconceito era mais meu, não aceitava muito o meu corpo, cheguei a emagrecer, minha dieta era bala halls, manequim 38, mesmo assim me achava enorme, sempre fui a mais nova da turma, porém a mais alta, sempre tive a sensação de ser a grandona, era assim que me chamavam, mas foi tranquila.

CaP Bom. como os anos já se passaram e depois com toda essa revolução plus size no Brasil, como tudo começou para você?
RC Em uma manhã de setembro de 2011, meu marido abre o jornal e aponta uma foto e diz: Amor por que você não está aqui?Essa era uma foto de divulgação do segundo Miss Plus Size Carioca, do meu amado e professor Eduardo Arauju, na época estava muito depressiva, por conta do falecimento de pessoas queridas, por problemas pessoais e ele queria que eu me alegrasse, saísse daquela situação de qualquer forma. Eu disse não tenho coragem, é muita exposição. O problema não era meu corpo, mas a timidez, pois sempre fui bem resolvida com minhas curvas. Mas uma coisa tinha mexido comigo, o fato de ser Miss... nossa era um sonho impossível..., pois até alguns anos esse tipo de concurso estava meio fora de moda, era só para mulheres magras, mas desde  criança queria ver um, participar, pois minha mãe era linda(é), e toda as suas fotos eram com posse de miss e eu perguntava: Mãe porque você só tira foto assim? Ela dizia é pose de miss, ai comecei pergunta o que é miss...enfim aquelas infinitas perguntas de criança...e, claro comecei imitá-la. Bom tratei de entender esse universo plus size, como funcionava esses concursos, quem organizava se eram pessoas sérias, e vi quem minha irmã incentivou-me mandando links de casting para modelo, então fui ao pioneiro neste tipo de concurso, aqui no Brasil, Eduardo Arauju e durante nove meses me preparei para este concurso, fiz curso de passarela, de modelo e manequim precisava vencer a timidez. Sonho de infância!!!

CaP Qual foi seu primeiro trabalho plus? 
RC  Foi em outubro de 2011 num casting do troca troca GG, vi por um blog e fui pra São Paulo a única carioca, não sabia desfilar, mas valeu a experiência conheci grandes amigas: Francine Farias, Annie Donatao e Gabriele Fernandes.

CaP  Nas mídias sociais se fala muito de valores de cachê para modelos plus size ,que muitas contratantes deixam a desejar em relação a valores, qual sua opinião, o que acha ? 
RC Sinceramente, acredito que falta profissionalismo, de ambos os lados: contratadas e contratantes. A modelo iniciante fazer uma vez foto por troca de roupa, para colocar em seu portifolio eu até concordo, mas a segunda vez tem de rolar um cachê mesmo que pequeno, para que possa investir em sua carreira, porém vivemos em uma sociedade que todos querem ter  ao ser, e aí há meninas que quase pagam aos lojistas para fotografarem...bom qualquer análise a conclusão é a mesma falta de profissionalismo, modelo magra não trabalha de graça, porque as gordas tem de trabalhar, as roupas para gordas são mais caras...devemos refletir.

foto: acervo pessoal


CaP Você já rejeitou algum trabalho por que o valor não valia a pena? 
RC  Vários, trabalho de graça só para instituições sem fins lucrativos, pelo menos ajuda de custo tem que ter. 

foto: acervo pessoal
CaP Em relação ao tamanho do manequim limite para modelos plus size, que é uma grande tendência que vem dos Estados Unidos, qual a sua opinião sobre esse tema polemico?
 RC Acho um retrocesso...lutamos tanto para sermos reconhecidas, para as lojas terem grades maiores, o que está acontecendo: as modelos em final de carreira estão engordando para virarem plus size... e as modelos plus size mal conseguiram conquistar seu espaço e já estão perdendo é uma pena...,mas ainda existe grandes marcas como a Leader que utilizam modelos 48/50 para estamparem suas campanhas, as modelos cariocas Marlucia e Miss Carioca Amanda Santanna.

CaP Como foi para você o Miss Ronde Universnet, qual a sensação de ser a única brasileira a ter esse título? 
RC Confesso que a ficha demorou a cair...a sensação é de conquista, de sonho realizado, dever cumprido, depois da entrevista do Fantástico tive clareza e vi o tamanho da responsabilidade.

CaP Deixe um recado para as novatas
RC Posso mudar “novatas”, pra gordinhas: primeiro se amem, não será o título de miss plus size, de modelo que te fará feliz! Há meninas que conversam comigo e dizem " preciso erguer minha auto estima e por isso quero ser modelo" , eu falo procure um terapeuta, uma atividade física, pois a profissão de modelo não é fácil, principalmente no segmento plus size. E o mercado está cheio de oportunista e você acaba se tornando presa fácil...há pseudos agências que prometem até um pedacinho do céu, mas tudo tem um custo caro  para acompanhar falsas promessas...Podemos estar perto do movimento criando blog de qualidade, no meio da moda plus size falta profissional bom,   não é porque sou gorda que tenho que ser modelo plus size, já vi muitas meninas entrando em depressão, pois não conseguem trabalho fora porque a competição é muito grande.


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