quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Juliana Romano do "Entre topetes e vinis" fala sobre seu blog



A moda plus size vem ganhado espaço faz algum tempo. Mulheres e homens estão aceitando seu corpo e aprendendo a se vestir bem, valorizando o que tem de melhor, e escondendo aquilo que não gostam. As marcas já começam a ficar mais atentas a esse público consumidor, que também acompanha as tendências de moda. A jornalista Juliana Romano tem tudo a ver com isso. Ela criou o blog “Entre topetes e vinis” quando ainda estudava na PUC de São Paulo, em 2009, não foi só porque queria mostrar seus looks, mas dividir tudo que gosta com seus leitores. Depois de um tempo, ganhou visibilidade como uma blogueira plus size e, hoje, é referência para as leitoras que querem uma inspiração na hora de vestir. Ela já trabalhou no portal Vírgula da Jovem Pan, na Play TV, na Gloss, como repórter de moda e beleza e, atualmente, além do blog, é repórter de beleza do portal M de Mulher. Fizemos uma pequena entrevista com a blogueira para saber mais sobre a moda plus size, confira:


  
Vou ter que começar com a clássica: Como surgiu a ideia de criar o blog?
Quando eu estava na faculdade de jornalismo, em 2009, eu já estagiava há muito tempo, mas sentia falta de um espaço onde eu pudesse me expressar de verdade. Falar sobre assuntos que eu não conseguia falar nos veículos que eu trabalhava, sabe? Eu sempre fui apaixonada por música, beleza e moda vintage, aí pensei onde ficavam todos os meus pensamentos e notei que todos vagavam “entre topetes e vinis”, assim surgiu o nome. Quando entrei para a Gloss, em 2010, a diretora estava buscando uma repórter para fazer um blog diário de mudança (estilo esses blogs de emagrecimento, sabe?). Eu me ofereci, mas deixei claro que não iria fazer um blog de emagrecimento, mas sim de aceitação. Ela curtiu a ideia e entrei com o meu blog para o site da Gloss, aí passei a focar mais na área de moda e, com o tempo, ele foi chamado de plus size.


Você se veste muito bem. Como é achar roupas de tamanho plus size?
Obrigada pelo elogio! Hoje em dia eu acho mais fácil, porque nesses últimos três anos a situação do mercado de tamanhos maiores melhorou muito, principalmente nas capitais. E também, eu não uso um número muito alto, fica beirando a grade “comum” (uso entre 46 e 50). Aí consigo roupas até em lojas de departamento. Mas, claro, não é o melhor dos mundos. Tem muuuuitas coisas que eu gostaria de encontrar do meu tamanho e não acho, por puro preconceito das confecções. As marcas acreditam que toda gorda quer se esconder e não é bem assim. As meninas acima do peso estão cada vez mais se aceitando e querem usar moda também. Infelizmente, é mais fácil achar roupas que “sirvam” do que achar roupas fashion e que temos vontade de usar. Mas eu sempre acho simplesmente porque não desisto nunca – nesse aspecto eu sou muito brasileira (risos). Eu vou de loja em loja, nem que tenha que ir a cinco shoppings diferentes, e se não encontro recorro às lojas online. (ou às vezes pulo o sacrifício do shopping e vou direto para as lojas plus online). Até fiz um roteiro online de lojas plus size no blog.


A moda de hoje é democrática ou ainda traz poucas opções para quem não tem corpo de modelo?
Então, eu acho de verdade que, nos últimos anos e com a entrada do fast fashion, o cenário mudou muito por aqui. As lojas começaram a perceber que a “mulher real” também consome moda e que isso movimenta muito dinheiro. Aí passaram a investir em números levemente maiores (até o 48) e em modelagens mais “abrasileiradas”. Mas ainda é muito tímido isso... Eu acho que as tendências se democratizaram, hoje vemos em lojas mais baratas as últimas tendências de desfiles internacionais, coisa que há seis anos era impensável. Mas na questão de tamanhos, ainda temos um longo caminho a percorrer. Eu acompanho o Fashion Weekend Plus Size há algumas edições e está cada vez melhor, mas as pessoas e os lojistas precisam perder o preconceito com tamanhos grandes.


Acredita que seu estilo inspira meninas de todo Brasil?
Ai! Que difícil! (risos). Eu não sei se o meu estilo, em si, mas a minha causa eu acredito que inspira, sim. Eu recebo todo dia recados de leitoras maravilhosas, que conseguiram enxergar um lado diferente de si por alguma coisa que falei no blog. Isso é lindo. Eu acho que estilo cada uma tem o seu, mas eu fico bem feliz de conseguir fazer as meninas despertarem para o delas.


Ainda há muito preconceito com as meninas gordinhas?
Sim, muito. E fica ainda mais difícil quando a novela em horário nobre reafirma esse tipo de preconceito. As pessoas ainda pensam que gorda é doente, que a gorda é incapaz, preguiçosa, descuidada, sem vontade, sem amor próprio e sem autoconfiança. O que eu aprendi trabalhando todos esses anos é que não dá para você colocar todas as mulheres no mesmo saco. Cada mulher é um universo e tem suas inseguranças, bem como suas qualidades e defeitos. Existem gordas doentes, sim, mas também existem muitas magras doentes. A diferença é que ninguém fica metendo o dedo na cara de quem se encaixa nos padrões. Infelizmente, vivemos em uma sociedade muito cruel, onde as pessoas julgam as outras por como elas aparentam – e não estou falando só de peso. Vivemos em uma sociedade em que as pessoas não aprendem a raciocinar antes de abrir a boca, onde as pessoas simplesmente ouvem uma informação, tiram conclusões precipitadas e saem cuspindo, praticamente regurgitando, um monte de pré-conceitos que elas nem pensaram a respeito. Não estou dizendo o que as pessoas precisam achar bonito, gosto é pessoal, mas a premissa para viver em sociedade é respeitar o próximo. Sem respeito todos nos tornamos animais. 

Fotos: Divulgação
Ana Paula Backes
ana.backes@usefashion.com

fonte: Use Fashion

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