terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Pelo direito de ser gorda e respeitada

Enquanto muitas mulheres tentam de tudo para emagrecer, outras estão satisfeitas com os ‘quilinhos’ a mais e esbanjam charme por aí colocando um basta na ditadura da beleza magra. São as mulheres plus size, especificação que abrange aquelas que vestem a partir do manequim 44. 

Nos últimos anos tem crescido o número de mulheres que deram adeus ao preconceito e transformaram o excesso de peso em oportunidade. É o caso de Camila Georg a atual Miss Plus Size RN.

Adriano AbreuEm Natal, amigas se juntaram e estão fazendo um movimento plus size que tem atraído meninas que estão provando que é possível, sim, ser feliz com uns quilinhos a maisEm Natal, amigas se juntaram e estão fazendo um movimento plus size que tem atraído meninas que estão provando que é possível, sim, ser feliz com uns quilinhos a mais
“Por muito tempo as gordinhas foram excluídas, mas hoje existem várias oportunidades para nós que não estamos no padrão determinado pela sociedade. E estamos aproveitando. Participamos de desfiles de roupas e lingeries, concursos de beleza e tudo que tivermos direito”, conta Camila.

Ela encabeça o movimento plus size em Natal, que tem atraído cada vez mais meninas que acreditam que corpo perfeito não é tudo e que é sim possível ser feliz acima do peso. “Já quebramos muitos tabus,  nunca deixamos de fazer nada e nem deixar de usar nada – inclusive biquini”, diz a auxiliar administrativo, Silvia Pires.

Ainda fazem parte do grupo as estudantes Jéssica Nascimento, Nayanne Cortês e a personal trainer Ileany Ferreira. Isso mesmo! Uma prova que pode ser gordinha e saudável ao mesmo tempo.

“Meus pais são educadores físicos e desde de pequena convivo nesse ambiente de malhação, mas a minha estrutura física não é de uma mulher magra. Costumo dizer que não sou gorda, meus ossos é que são grandes demais”, brinca Ileany.

As meninas também arrasam no quesito ‘azaração’. Elas não passam despercebidas em lugar nenhum, ao contrário, chamam atenção onde chegam. E se engana quem pensa que elas não fazem sucesso com os rapazes. Por onde passam são bastante assediadas.

Segundo Jéssica Nascimento, os homens gostam mesmo é das gordinhas. Das cinco meninas que conversaram com a equipe da TRIBUNA DO NORTE, uma é casada, outra está namorando e as   outras três estão solteiras, mas por opção.

“Lá no meu bairro sou conhecida como a gordinha sexy. Estou sempre bonita e bem arrumada. Eu me valorizo, gosto de mim do jeito que sou, por isso não preciso ficar me escondendo, quero mais é me mostrar”, diz Nayanne.

E é assim com a autoestima proporcional ao peso que as mulheres plus size dão adeus e assumem de vez a beleza que há dentro de cada uma delas.

Setores de moda e beleza lucram com público GG

Atentos a esse novo nicho de mercado, os empresários potiguares investem cada vez no público plus size.  Os setores de moda e beleza são os que mais lucram com essas moças cuja vaidade também é de tamanho extra G.

Proprietária de um salão de beleza em Natal, Patrícia Collier, explica que as mulheres plus size estão cada vez mais antenadas a moda e são as clientes mais fieis. “Antes existia essa história de que as gordinhas não querem se produzir. Hoje elas querem estar na moda. E estão antenadas com as tendências, principalmente no que diz respeito a manicure e tratamentos de estética como massagem, drenagens linfáticas”, conta Patrícia.

O cabeleireiro Pármenas Augusto explica que  a democratização da moda ajudou as gordinhas nesse processo de descoberta. E que o que elas querem mesmo é se sentir bem. “A forma de beleza é a mesma independente do tamanho do manequim. Elas descobriram e estão se mostrando mais. Posso dizer que são as minhas clientes mais vaidosas. Toda semana estão no salão nem que seja só para fazer a unha”, disse Pármenas.

A auxiliar administrativa Silvia Pires é um exemplo. Ela disse que sua ida ao salão é semanal. Sem contar o ritual de beleza que faz em casa. “Óleos, hidratantes, massagens, massagens, manicure, cabeleireiro. Tudo isso faz parte da minha rotina. Eu gosto de me cuidar, de estar bonita”, disse ela.

Outro segmento que investe nesse público é o de moda. Há pouco mais de cinco anos era praticamente impossível encontrar roupas bonitas e modernas para mulheres plus size. 

“Comecei com loja mista, com roupas de vários tamanhos, mas com o tempo fui me identificando mais com esse público, procurando roupas mais bonitas, mais jovens e que agradem a todas”, disse a dona de uma loja especializada em roupas plus size, Avani Coelhos

Hoje, além das especializadas, as lojas populares começam a oferecer produto para as gordinhas.

Corpo perfeito é idealizado pela ditadura da beleza

A ditadura da beleza torna-se muito cruel quando as pessoas passam a criar expectativas que não condizem com o seu biotipo e isso gera um ciclo vicioso perigoso que, inclusive, pode desencadear algum tipo de transtorno alimentar, pois em nome do “corpo perfeito” mulheres e homens faz-se loucuras.

Segundo a nutricionista Renata Mezes, as pessoas devem aceitar-se como são e  viver de maneira saudável. “Muitos optam por dietas restritivas demais que resultam em ansiedade seguida de episódios de compulsão o que justifica o famoso “efeito sanfona” que desregula completamente o metabolismo”, disse ela.

Ainda segundo ela, é preciso quantificar o excesso de peso, avaliar como ele está distribuído pelo corpo, se existem consequências negativas relacionadas a ele e, associado a isso, investigar os hábitos alimentares e o estilo de vida de cada um já que existem pessoas que estão acima do peso, mas  associam uma alimentação equilibrada à prática de exercícios físicos regulares podendo ser mais saudáveis, do ponto de vista cardiovascular, quando comparadas a “magrinhos sedentários”.

Por isso, para se manter saudável as dicas vão além do que diz respeito à alimentação, ela, sozinha, não consegue trazer os benefícios que o nosso corpo necessita e merece. 

“Costumo orientar a não passar muito tempo sem se alimentar e para isso sugiro o consumo de alguma fruta, ter um sono de qualidade, praticar atividade física regular e por fim, cuidado com o nível de estresse, “ele engorda”! Mente sã, corpo são”, orienta a nutricionista.

Bate-papo: Diego Macedo - Terapeuta cognitivo - comportamental 

O que as mulheres que estão acima do peso podem fazer para não cair nessa pressão psicológica da ditadura da magreza?
É importante tentar fazer a desvinculação da obesidade com os esteriótipos mencionados, como preguiçoso, inconseqüente, descontrolado, desinteressantes e etc. O fato de uma pessoa ser obesa não implica que ela tenha perdido suas habilidades, competências e nem que ela seja responsável por estar assim. Na verdade, fatores genéticos e maus hábitos adquiridos no decorrer da vida são importantes para manutenção do quadro de obesidade. Maus hábitos que podem ser modificados como a ajuda de ferramentas psicológicas. Nesse caso a Terapia Cognitivo-comportamental pode ajudar na aquisição de novos hábitos alimentares, já que ela pretende modificar a estrutura de funcionamento psicológico da pessoa (pensamento, emoção e comportamento). 

E no caso das adolescentes, o que toda essa pressão pode causar?
Durante o final da infância e início da adolescência a identificação de grupo passa a ser um componente bastante relevante. As diferenças são ressaltadas já que são utilizadas como critério para adesão aos grupos sociais. Nesse momento, a obesidade pode ser utilizado como forma de discriminação de grupo. Além disso, a criança ou adolescente obesa pode sofrer com bullying o que tem um papel devastador na vida da pessoa, podendo minar sua auto-estima, habilidades sociais e relações afetivas/amorosas. No fim, a obesidade passa a associar-se com reprovação social e crenças negativas acerca de si mesmo. O adolescente obeso que sofre com essas questões sociais pode vir a ser um adulto pouco confiante, que se considera inadequado, pouco desejado e pouco querido. O que pode levar o ser humano a desenvolver quadros psicopatológicos, como a depressão.

O que é a Terapia Cognitivo-comportamental?
A Terapia Cognitivo-comportamental controla o comportamento alimentar ajudando seus pacientes a identificar e modificar o que chamamos de pensamentos permissivos. Esses são um grupo de pensamentos que a pessoa apresenta na hora de se alimentar e que faz com que ela se autoriza a ingerir uma grande quantidade de alimentos. Modificando esse padrão de pensamento pode-se modificar os hábitos alimentares.

Emagrecer é importante, mas isso deve ser obtido de maneira saudável associando a perda de peso ao novo padrão alimentar que, de preferência, deve continuar após a pessoa adquirir o peso ideal.

fonte: Tribuna do Norte

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