segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Fluvia Lacerda: “Me sinto uma mulher completa e sempre me achei linda”

Considerada a "Gisele Bündchen do plus size", a top carioca radicada nos Estados Unidos falou conosco e esbanjou autoestima e segurança: "Impossível não me sentir sexy"


Antes de falar com Fluvia Lacerda, esqueça aquela história de modelos cheinhas combullying de infância, desilusão amorosa por não ser magra ou “síndrome do patinho feio”. A top, de 34 anos, tem segurança e autoestima pra dar, vender e emprestar. É o que transparece durante nossa entrevista exclusiva, em meio à agenda lotada de viagens pela Europa. Considerada a "Gisele Bündchen do plus size", a carioca radicada nos Estados Unidos tem tanto sex appeal quanto outras tops do mercado. “Quando coloco um salto, um batom vermelho e um vestido justo, que cai bem sobre minhas curvas, é impossível não me sentir sexy”, confessou Fluvia na entrevista que você confere a seguir:

Glamour Brasil: Como era sua aparência na infância e adolescência?
Fluvia Lacerda: 
Sempre fui cheinha e tive uma infância e adolescência completamente normais. Nunca sofri bullying ou desilusão amorosa, também nunca quis emagrecer. Nunca tivesse associação feita entre ser magra e ser feliz.

Glamour Brasil: Quando você começou a modelar, a onda plus size ainda era novidade por aqui. Como era a receptividade da indústria da moda no início?
Fluvia Lacerda:
 Quando comecei o mercado plus size já era superconhecido e estabelecido no exterior. Esse assunto só é novidade no Brasil e ainda não ganhou o respeito e espaço devidos por aí. Europa, Estados Unidos, México, Austrália, entre outros mercados, o assunto plus size já antigo, explorado e bem desenvolvido.

Glamour Brasil: Já sofreu preconceito por ser plus size?
Fluvia Lacerda:
 Se já, nunca reparei. Até porque tenho uma cabeça muito bem resolvida quanto ao meu corpo e a atitude negativa da sociedade, sou muito imune a negatividade alheia.

Glamour Brasil: Alguma vez teve problema com autoestima?
Fluvia Lacerda: 
Honestamente, não. Sou muito racional quanto ao assunto, acho que é algo de dentro pra fora, baseado em escolhas. Posso sentar e sentir pena de mim mesma, lastimar mil coisas. Ou posso ser grata a Deus por ter um corpo que funciona, que não tem problemas de saúde nenhum, que me leva de A para B e que me possibilita viver, amar, me divertir, conhecer o mundo. Prefiro ver a vida por uma ótica construtiva, não consigo perder tempo lamentando por não me encaixar em padrões impostos por terceiros.

Glamour Brasil: Como é o mercado de moda para você hoje em dia?
Fluvia Lacerda:
 O mercado de moda plus size é muitíssimo bem estabelecido e prova disso são carreiras como a minha. O mercado de moda deve ser um direito para todas as mulheres. No entanto ser modelo requer muitas coisas, não basta ser cheinha pra se tornar modelo plus size. Vivo apenas de modelar. Se os cachês estão a par de outros mercados, não saberia dizer, mas ganhamos bem sim.

Glamour Brasil: O que você acha sobre os rótulos “barriga negativa” e “musa do abdômen trincado”?
Fluvia Lacerda:
 Nunca nem tinha ouvido falar desses termos (risos). Acho que palavras-chaves, que viram modismos, sempre existirão pra criar um 'buzz' e gerar polêmicas, que no fim servem de propósito para vender algo. Tenho uma visão muito realista de mercado, não entro muito no aspecto dramático da coisa. Muito de tudo isso é jogada de venda.  O termo plus size hoje virou moda e tem vendido horrores no mundo todo. Sim, é uma jogada de palavras, termos e modismo usados na busca de abrir espaços, gerar vendas.  Porém o mercado em si não deixará de existir e bombar de vender como está vendendo hoje, independente do termo existir ou não.

Glamour Brasil: Acha que as roupas plus size realmente são bonitas? O que você mais veste?
Fluvia Lacerda:
 Plus size assinala apenas o manequim da roupa, isso não tem relacionamento algum com o fator beleza ou qualidade. Assim como existem marcas que vendem manequins menores que são boas e outras são ruins, o mesmo se aplica ao mercado plus size. O aspecto "roupa bonita" é algo relativo, pois isso vai de acordo com o gosto individual de cada um. Tenho um guarda-roupa repleto de muitas coisas, diversos estilos, tecidos, estruturas e cortes, que adoro e acho lindíssimo. Uso muitas peças estruturadas, adoro seda, linho, misturo de tudo um pouco.

"O termo plus size hoje virou moda e tem vendido horrores no mundo todo" (Foto: Christian Parente)
Glamour Brasil: Você é a favor dessas campanhas que fazem em prol de “mais plus size nas capas e revistas de moda” ou acha que já deu?
Fluvia Lacerda: 
Sempre serei a favor da democratização da moda. Acredito que independente de um grupo de pessoas dentro de mercados individuais mundo afora, não gostarem do assunto ou da ideia, isso não fará a demanda desaparecer. No fim do dia mercados existem devido a demanda, afinal o dinheiro move tudo, e onde há demanda, estereótipos e preconceitos não duram muito tempo. A grande prova disso é toda essa expansão do assunto, do mercado e da demanda por imagens, roupas e conceitos mais normais, realistas e coerentes com o dia a dia das massas.

Glamour Brasil: Se sente sexy?
Fluvia Lacerda:
 Me sinto uma mulher completa, bem resolvida e sempre me achei linda. Não no sentido vazio da ideia, nas sim de uma forma construtiva. Quando coloco um salto, um batom vermelho e um vestido justo, que cai bem sobre minhas curvas, é impossível não me sentir sexy.

Glamour Brasil: Posaria nua?
Fluvia Lacerda:
 Depende muito de muitas coisas. Quem sabe?

Fonte: Glamour


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